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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Após acidente ela aprendeu a aceitar os pelos em seu corpo e agora manda recado para outras mulheres


A Síndrome do Ovário Policístico, também conhecida pela sigla SOP, é um distúrbio endócrino que provoca alteração dos níveis hormonais, levando à formação de cistos nos ovários que fazem com que eles aumentem de tamanho. Um efeito colateral muito comum nas mulheres com essa condição é o crescimento rápido de pelos grossos e escuros no rosto e no corpo. 



No entanto, o excesso de pelos pelo corpo, principalmente nas mulheres, não é algo muito aceito nos padrões de beleza atuais. A presença de pelos em qualquer lugar abaixo das sobrancelhas permanece um tabu - e, portanto, aqueles que possuem mais do que é considerado normal podem se sentir pressionados a se raspar com lâminas, depilar com cera e até apelar às sessões de lazer. 
Embora sejam eficazes, essas práticas podem levar muito tempo e são bastante dolorosas, para não mencionar o desagrado geral de sentir como você é estranho e pouco atraente por algo completamente natural. 
Por isso que é tão importante quando alguém mostra os pelos de seu corpo, como um lembrete para os outros que eles não estão sozinhos em tê-los em excesso. 
Leah Jorgensen tem 33 anos e passou anos de sua vida raspando seu corpo inteiro porque se sentia como uma "aberração”. Ela tem síndrome do ovário policístico, o que faz com que ela tenha crescimento de pelo masculino em seu peito, queixo e no abdome. 


A partir dos 14 anos de idade, Leah foi intimidada pela própria aparência, e optou por esconder seu corpo em blusas de manga comprida e de gola alta. Aos vinte anos, ela começou a raspar seus pelos, o processo costumava levar horas até que seu queixo, bochechas, lábio superior, peito, abdome, braços, pernas e costas estivessem completamente lisos. 
A insegurança de Leah a impediu de se aproximar das pessoas - ela deu seu primeiro beijo com 27 anos e evitou o dentista por doze anos. 
"Nunca vi mulheres que pareciam comigo", diz Leah. "Eu estava tão envergonhada que não queria falar sobre isso. Minha maneira de lidar com essa vergonha e constrangimento era me esconder. Meu objetivo diário por um longo tempo foi passar o dia sem que ninguém percebesse o quanto eu era peluda”. 
Ela ainda conta que, além de sofrer muito bullying na infância e ser chamada de homem pelos colegas, teve uma experiência péssima com um médico que, ao notar sua condição extrema, ficou assustado e fez uma expressão facial de espanto. Aquilo foi o suficiente para perturbar a adolescente que já se sentia uma aberração. 


Mas, em 2015 tudo mudou, quando Leah foi atingida por um carro. Ela precisou que ser levada para o hospital por ambulância, e teve suas roupas cortadas por paramédicos para se submeter a uma cirurgia. Isso significava que as pessoas viram a extensão do crescimento dos pelos de Leah - mas para sua surpresa, eles não estavam incomodados. 


"Eu percebi que ninguém se importava com o que eu parecia", ela explica, "eles apenas me viram como uma pessoa. Isso realmente me ajudou a superar minha condição”. 


A partir daquele momento, ela decidiu parar de raspar e esconder seus pelos. Leah agora abraça seus pelos, usando blusas de gola baixa, sem mangas e saias em público sem se preocupar com o que as pessoas pensam. 


Logo ela percebeu que o problema não estava em seus pelos e sim na reação das pessoas, e quando ela deixou de se importar com isso, sentiu-se empoderada, única e perfeitamente bem. 


E dá um recado às mulheres que sofrem da mesma condição: “Você não está sozinha!”. 

Informações: Metro 
Edição: NC
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