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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Mulher vai ao seu próprio velório para se vingar do marido


Esta história poderia facilmente ser virar o roteiro de um filme. Uma história de vingança à la Kill Bill, mas sem os litros de sangue que Tarantino tanto aprecia.











Noela Rukundo vivia com o marido Kalala, que ela conheceu há 11 anos, e os filhos em Melbourne, Austrália. Quando a madrasta de Noela morreu, ela teve que retornar à África para ir ao velório, deixando as crianças sob o cuidado de Kalala. 


Depois da cerimônia, ela retornou ao seu hotel em Bujumbura, capital do Burundi, para descansar um pouco. Foi então que seu marido telefonou. Após trocarem algumas palavras, ele a aconselhou a sair para tomar um ar. Bem, por que não? Isso só poderia lhe fazer bem. Mas assim que saiu do hotel, um homem apontou uma arma para ela. 


Ele lhe disse para não gritar, ou atiraria. Com medo, ela seguiu todas as instruções e logo se viu vendada dentro de um carro. Meia hora depois, lá estava ela, amarrada em uma cadeira em um prédio abandonado.
Depois de dois dias de sequestro, um dos homens perguntou a ela o que ela fez para que seu marido a quisesse morta. Noela ficou pasma. Isso só podia ser um equívoco. Eles deviam estar mentindo, lógico. Enquanto riam dela, um dos sequestradores pegou o telefone e digitou um número. O sangue dela congelou imediatamente ao reconhecer a voz do marido do outro lado da linha: “mate-a”. 


Apesar de saber que o marido era um homem violento, ela nunca imaginaria que ele tentaria matá-la. O que aconteceria com seus filhos? Foi nesse momento que os sequestradores revelaram o segredo.
Eles nunca tiveram intenção de matá-la. Eles conheciam o irmão dela e, acima de tudo, eles "não acreditavam" em matar mulheres ou crianças. Não. O objetivo deles era poupar Noela, mas extorquir dinheiro de Kalala: "nós queremos que você volte para casa e diga às outras mulheres estúpidas como você o que aconteceu", eles explicaram, "elas devem abandonar seus maridos violentos!"


Chocada, porém cheia de certezas, ela não perdeu tempo e começou a planejar a vingança. Ela entrou em contato com a embaixada do Quênia e da Bélgica para conseguir voltar para a Austrália e telefonou para o pastor da sua igreja em Melbourne. Juntos, eles encontraram uma maneira de repatriar Noela sem levantar a suspeita do marido dela.
O marido já havia dado a notícia a todos: Noela havia morrido em um trágico acidente. Pobre dele. No dia do velório, toda a comunidade foi confortar Kelala em seu luto. Só quando o último vizinho deixou a casa da família, foi que o odioso marido teve o maior choque da sua vida. 


Bem ali, na frente dele, o fantasma de sua mulher o encarava. Quando ele colocou as mãos nos ombros dela e percebeu que ela estava viva, caiu no choro. Noela nem piscou, possuída por uma força repentina que ela nem sabia que tinha: "eu senti como se tivesse nascido de novo."
Tendo, a princípio, negado os fatos, Kalala eventualmente confessou: ele tentou matá-la porque tinha medo dela abandoná-lo por outro homem. Ele foi sentenciado a nove anos de prisão, mas, para Noela, esse não foi o final da história. 


Muitas pessoas da comunidade congolesa de Melbourne a culparam por denunciar Kalala. Isso foi seguido por muitas ameaças anônimas e uma tentativa de invasão à sua casa. Felizmente para ela, Noela já não é mais a mesma.
Ela pode ainda ouvir a voz do marido mandando matá-la, mas não tem mais medo: “eu vou me levantar como uma mulher forte”, ela diz, “ A minha vida passada já se foi, eu estou começando uma nova vida agora”.
Como, infelizmente, nem todas as "Noelas" do mundo são tão sortudas quanto ela, esperamos que sua história sirva como estímulo para outras mulheres em situações semelhantes, para que busquem ajuda e recuperem a força que lhes foi roubada.

Informações: The Washington Post, BBC via Não Acredito
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