Páginas

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

“Ninguém deveria estar na escola às 7h da manhã”, revela neurocientista


Imagem ilustrativa de reprodução

Baixa performance escolar, aumento de peso, sintomas depressivos, declínio da atividade física. Efeitos nocivos como estes relacionados à privação do sono deveriam bastar para comprovar a importância de uma noite bem dormida.




Nas últimas décadas, porém, a ciência vem mostrando como um sono de qualidade é fundamental para a aprendizagem ao consolidar memórias e estimular nossa cognição. Mas as escolas continuam ignorando estas descobertas ao praticar horários que estão muito aquém da necessidade de sono dos alunos. É o que defende o neurocientista pós-graduado pela Harvard, Fernando Louzada. Em conversa com Carta Educação, o coordenador do Laboratório de Cronobiologia Humana da Universidade Federal do Paraná (Labcrono – UFPR) falou sobre como a reorganização do tempo pode ser mais uma contribuição para a melhora da educação como um todo.


Ele diz: O sono é importante não só para a consolidação do aprendizado. O sono e mais particularmente os sonhos possibilitam a geração de novas ideias, a criatividade e, consequentemente, a capacidade de resolução de problemas. Trabalhos mostram que dormir ajuda a formar memórias declarativas, que é toda aquela que você consegue declarar como nome, datas, fatos, locais e também a memória procedural, ou seja, motora. Se você aprende a realizar uma tarefa motora de digitação, por exemplo, quando você dorme, o sono melhora o seu desempenho ou impede a piora. O sono também favorece o insight, a resolução de problemas. Como a gente descobriu isso? Propomos um desafio de videogame para voluntários e quando eles não conseguiam passar de certa fase, dormiam uma sesta. Comparado com outro grupo que não dormia, as pessoas que tiravam o cochilo dobravam a chance de sucesso em resolver a tarefa.

Há estudos mostrando que episódios bem curtos de sono já são suficientes para reter aprendizados. Quando você dorme um sono de dez, quinze minutos, você não entra na fase REM. Esse sono, por falta de nome melhor, a gente chama de sono “não REM” e também é importante para a cognição. Por exemplo, este estudo que a gente fez com o videogame mostrou essa evolução no desafio após os voluntários terem dormido 1h30, na fase “não REM”

As pessoas ainda não incorporam a ideia da importância do sono. Há um preconceito, ideias muito arraigadas na sociedade em relação a isso, desconhecimento. Acho também que tem uma questão – que eu entendo – por parte dos educadores que é “eu tenho tantos problemas mais sérios e vem esse cara falar que eu preciso mudar o horário”. Tem problemas tão graves que realmente é difícil sensibilizar, mas por outro lado acho que a tragédia educacional brasileira é tamanha que a gente tem que atuar em todas as frentes, tem que fazer de tudo para tentar melhorar.



Informações: Carta Educação
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário