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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pinguim altera padrão migratório e viaja centenas de quilômetros para visitar brasileiro que o salvou


Imagem de reprodução
João Pereira de Souza é um pedreiro aposentado do Rio de Janeiro, que tem um vínculo de amizade com um pinguim-de-Magalhães, da região pertencente à Patagônia na América do Sul, separada pelo estreito de Magalhães – uma passagem navegável de aproximadamente 600 km ao sul da América do Sul continental.
Este estreito é a maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Nos últimos cinco anos, a ave mudou completamente seu padrão migratório natural, apenas para visitar João várias vezes por ano.

A improvável amizade começou em 2011, quando o pedreiro encontrou o pinguim – apelidado por ele de Jinling – embebido em óleo, na praia perto de sua casa. Ele trouxe a ave para casa, limpou-a, ofereceu-lhe uma refeição de sardinhas frescas e um local com sombra para descansar. Desde então, Jinling nunca ficou longe de João por muito tempo.
Após o pinguim ter melhorado, João tentou soltá-lo em mar aberto, mas ele sempre retornava. Certa vez, ele tentou levá-lo em alto mar, em um barco, para que ele pudesse ser solto no oceano. Porém, quando João voltou para a terra firme e chegou em casa, Jinling já estava esperando por ele.
Apesar de pinguins-de-Magalhães migrarem por milhares de quilômetros anualmente, entre colônias reprodutivas na Patagônia e áreas de alimentação localizadas mais ao norte, Jinling não se afasta do Rio de Janeiro há mais de quatro meses. Ele sempre encontra uma maneira de retornar à casa de João, às vezes passando de oito meses a um ano com o aposentado. Seu afeto com o brasileiro é tão grande, que ele apresenta comportamento agressivo quando outros animais chegam perto do homem.
Os pescadores locais ficaram perplexos com esse comportamento incomum. “O mais engraçado é que o pinguim pode ficar aqui por semanas, depois caminha até a praia e parte. Ele passa 10, 12, 15 dias fora e depois volta para a mesma casa. Ele deveria se unir ao grupo, encontrar algum caminho para o sul, mas ele não faz isso”, relatou Mario Castro, um pescador local. Jinling acabou se tornando mascote do local, com uma relação de gratidão improvável com o humano que salvou sua vida.

The Wall Street Journal, via Jornal Ciência




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