Páginas

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Fotos aéreas recentes e extraordinárias mostram tribo vivendo completamente isolada na Amazônia


Imagem de reprodução
Novas fotografias aéreas registraram a tribo Moxihatetema, isolada na Amazônia brasileira, acalmando os temores de grupos de conservação dos direitos indígenas sobre o preocupante aumento de mineração ilegal na área que poderia estar ameaçado sua existência.


Comparando com o último registro da tribo Moxihatetema, parece que duas famílias se juntaram à tribo, fazendo com que ela tenha crescido, mas os pesquisadores estão preocupados que o assentamento tenha se aproximado mais do que nunca dos mineiros que poderiam transmitir vírus, alimentos e água contaminados para a frágil comunidade.




A tribo possui 100 ou mais pessoas e é um dos três grupos Yanomami de indígenas que vivem na Reserva Yanomami, uma vasta área de densas florestas tropicais e montanhas que abrange a região norte do Brasil e o sul da Venezuela. Contendo mais de 9,6 milhões de hectares, o território yanomami no Brasil é duas vezes maior que a Suíça e sua população é de aproximadamente 22 mil pessoas na parte do Brasil e 12 mil pessoas na parte da Venezuela.
Devido à resistência por parte dos indígenas, o contato com a tribo Moxihatetema é feito pelo ar, através de helicópteros que registram seu progresso e monitoram sua segurança. Demorou mais de um ano para localizar a aldeia itinerante e os especialistas temiam que invasões de garimpeiros ou mineiros ilegais tivessem comprometido a existência da comunidade.


“O povo Moxihatetema está em grande risco, mas não são só eles, são todos os Yanomami da região, há mais garimpeiros todos os anos que não respeitam o nosso território. O governo deve fazer alguma coisa para impedir que invadam nossa terra”, disse Davi Kopenawa Yanomami, presidente da associação Yanomami, Hutukara, ao jornal britânico The Guardian.
Só para dar uma ideia de quão séria é a ameaça dos garimpeiros e mineiros, em 1993 mineiros assassinaram 16 pessoas Yanomami (sendo muitas delas crianças e idosos) e também queimaram suas casas. Conhecido como o massacre de Haximu, não está claro o que desencadeou este conflito particular entre os Yanomami e os mineiros, mas marcou o início de uma ameaça muito séria gerada pela corrida do ouro em 1987 que aconteceu no Brasil.
Enquanto os integrantes da tribo Moxihatetema vivem em áreas protegidas pelo governo, segundo o grupo de direitos dos indígenas Survival International, a área está sendo “invadida” por mais de 5.000 mineiros em situação ilegal. “Eles são como cupins, continuam voltando e não nos deixam em paz”, disse Davi Kopenawa Yanomami ao grupo.


A preocupação agora é que, devido aos cortes orçamentários do governo, a proteção para os indígenas da tribo Moxihatetema e outras tribos no Brasil pode diminuir, com a Fundação Nacional do Índio, a FUNAI, passando por um dos cortes mais graves nos últimos meses e anos. “A FUNAI fechou sua base de campo nesta região no ano passado, abandonando a tribo Moxihatetema ao seu próprio destino”, disse Fiona Watson da Survival International ao jornal The Guardian.
A única esperança é que a tribo parece estar crescendo, com as imagens abaixo revelando que mais dois telhados foram adicionados à tribo desde a última vez que foi vista.
A divulgação das fotografias pode ser vista como uma violação da privacidade desta comunidade isolada, mas os pesquisadores esperam que essas fotos tragam à tona as ameaças que enfrentam e a necessidade de controlar a mineração ilegal na área. “Essas imagens extraordinárias são mais uma prova da existência de tribos ainda muito isoladas. É óbvio que eles são perfeitamente capazes de viver com êxito sem a necessidade de noções externas de ‘progresso’ e ‘desenvolvimento’. Estamos fazendo tudo o que podemos para proteger suas terras para eles, e dar aos índios da tribo Moxihatetema a oportunidade de determinar seu próprio futuro”, finalizou Stephen Corry, o diretor da Survival International, em comunicado à imprensa




Science Alert, Survival International, via Jornal Ciência
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário