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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Comandante defende mudança na lei penal e prisão perpétua para assassinos de policiais


Imagem de reprodução
O comandante da Polícia Militar, coronel Wolney Dias Ferreira, disse nesta quarta-feira, que quer mudança na lei penal para que criminosos que matem policiais militares possam ser condenados à prisão perpétua. Bastante emocionado, o militar acompanhou o sepultamento do corpo do soldado Thiago Marzula, de 30 anos, no Memorial Parque Nycteroy, em São Gonçalo, onde o PM trabalhava.


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Quem atenta contra a vida de um policial atenta contra o estado. Isso é um ato de terrorismo e eu defendo penas muito severas. Sinceramente, acho que para esse tipo de crime deveria ser prisão perpétua. Acho que a nossa legislação tem que ser revista. Tem que ser dado um peso muito maior a quem pratica crimes contra um policial, contra quem tira a vida de alguém. Imagine se for um menor de idade? Não vai ficar nem preso. E é isso o que a sociedade quer? Nós estamos derramando o nosso sangue diariamente, tingindo o solo desse estado em defesa da sociedade, que precisa saber que também é responsabilidade dela— frisou o comandante da PM.
Ao lado de aproximadamente 300 pessoas, entre PMs, parentes e amigos inconsoláveis, Wolney Dias disse que já não suporta ter que enterrar policiais.



— Eu me sinto muito mal. É como se eu perdesse um filho cada vez que morre um comandado. É muito duro porque vai junto com esse filho uma parte minha. Esse é o meu pior pesadelo. A sociedade tem que entender que a polícia é a última linha entre a ordem e o caos. Nós somos os defensores da liberdade que permite a nossa sociedade viver e ter o seus direitos. Isso não pode ser aceito como uma coisa normal — afirmou.



Wolney Dias salientou que a corporação está mudando de estratégias de ação para diminuir o risco de ferimentos e mortes de policiais e de civis.

- Estamos revendo a nossa legislação, as nossas instruções reguladoras. Estamos também tentando diminuir os confrontos para diminuir a vitimização não só de policiais como também de terceiros, de civis. Estamos empenhados em buscar uma estratégia melhor, muito mais eficaz e que se diminua a perda de vida de inocentes - contou.
O comandante da PM também lamentou a falta de recursos para repor o quadro de evasão de policiais militares. Segundo ele, nos últimos dois anos cerca de 2000 policiais militares deixaram a corporação. E 4000 estão à espera de serem incorporados.

— Temos uma perda anual de 1200 a 1300 homens. Nos últimos dois anos foram 2000 PMs. Seja por falecimento, passagem para a inatividade ou incapacidade física. E hoje eu não tenho reposição. Em razão da crise eu não posso incorporar policiais militares — lamentou.
Durante o velório, o pai do policial ficou emocionado .
—Levanta, Thiago, acorda, meu filho — gritou, momentos antes do sepultamento.

Thiago Marzola de Abreu, foi morto com um tiro na cabeça, na segunda-feira, durante patrulhamento na Favela da Tida, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Cerca de cem pessoas, a maioria policias, acompanharam o enterro.
O soldado Thiago foi o 89º PM a morrer este ano. Ele deixou um filho com apenas dois meses de idade.

O Globo
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