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terça-feira, 20 de junho de 2017

Conheça a história bizarra da artista que deixou os outros a usarem por 6 horas


Imagem de reprodução
A sérvia Marina Abramović, especialista em arte performática, fez uma exibição ousada em 1974, quando se deixou totalmente à mercê dos visitantes durante seis longas horas. "Rhythm o", como chamou seu trabalho, consistia de poucos elementos, mas teve um final perturbador. 




Marina permaneceu imóvel em uma sala do Estúdio Morra, em Nápoles (Itália). Havia 72 objetos em cima de uma mesa na sala. Para essa obra, as seguintes "instruções" foram escritas em uma placa:



"Há 72 objetos na mesa, que podem ser usados em mim como desejado.

Performance.

Eu sou o objeto.

Durante esse período, eu assumo total responsabilidade.

Duração: 6 horas (20h - 2h)"


Os utensílios foram divididos em dois grupos. Um foi chamado de "objetos de prazer. O outro de "objetos de destruição". A seleção prazerosa continha objetos inofensivos, como penas, flores, uvas, perfume, vinho e um pedaço de pão. Os destrutivos incluíam facas, tesouras, uma barra de ferro, lâminas de barbear e uma pistola carregada com uma bala.


Pouco aconteceu nas primeiras horas - apenas fotógrafos ousaram se aproximar dela. Pouco depois, membros da audiência se aproximaram dela, beijando-a, levantando seus braços no ar, ou lhe dando flores. Esse foi o início inofensivo do que seria uma noite de horrores...



Algumas pessoas começaram a carregá-la, colocando-a em uma mesa e enfiando uma faca entre suas pernas. Vários homens a apalparam, tocando suas partes íntimas. Da terceira hora para frente, os "objetos de destruição" começaram a entrar em cena. 


Suas roupas foram rasgadas com lâminas de barbear, e os membros da audiência começaram a abusar de seu corpo e até a cortá-la. Mas a tortura não parou aí e as coisas ficaram ainda piores. 
"Durante a terceira hora, todas suas roupas foram cortadas com lâminas de barbear. Na quarta hora, as mesmas lâminas começaram a explorar sua pele. Sua garganta foi cortada para que alguém pudesse chupar o seu sangue. Vários abusos sexuais pequenos foram cometidos. Ela estava tão comprometida com seu trabalho que não teria resistido nem a estupro ou assassinato", diz o crítico de arte americano Thomas McEvilley, que observou a obra.
"Eu me senti realmente violada: eles cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosa no meu estômago, uma pessoa apontou a arma na minha cabeça", contou Marina, relembrando as últimas duas horas de sua obra. 
É difícil de acreditar no que aconteceu a seguir. Quando as seis horas acabaram e ela se tornou um "ser humano" novamente, a audiência não conseguia mais olhá-la nos olhos. Todos simplesmente se foram - eles não conseguiam se aproximar dela como uma pessoa. 



No entanto, há vários pontos de vista sobre o que realmente aconteceu. Dizem que a audiência, assim como os objetos, acabou se dividindo em dois grupos: um "agressor" e um "protetor". Quando alguém lhe apontou a pistola, uma briga entre as duas "facções" da audiência começou. De qualquer forma, foi um experimento realmente chocante. 



"Esta performance revela algo terrível sobre a humanidade. Mostra o quão rápido uma pessoa pode te machucar sob circunstâncias favoráveis. Isso mostra o quão fácil é desumanizar uma pessoa que não luta, que não se defende. Isso mostra que, se tiver a oportunidade, a maioria das pessoas 'normais' pode se tornar realmente violenta", disse Marina. Triste, porém verdadeiro. 



Fonte: 



Marina Abramovic Institute, elitereaders, zeit-online, Uni-Heidelberg
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