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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ela voltou com seu ex para que o filho tivesse um pai. Mas quando ele a despiu e a jogou no chão, o pesadelo começou.


Imagem de reprodução
Paola Mascambruni, da Argentina, tem 38 anos. Ela também é mãe de quatro crianças e é sobrevivente de um crime terrível que é cometido em todo o mundo: a violência doméstica. Há alguns dias, fotos de seu rosto severamente agredido se tornaram virais na internet. Esta é a história dela.





Em 2009, Paola conheceu Rodrigo Eduardo Picolini, um homem que trabalhava na companhia aérea Aerolíneas Argentinas. Eles logo se apaixonaram e tiveram um relacionamento feliz. Pouco tempo depois, Paola ficou grávida do primeiro filho deles. Foi durante a gravidez que Rodrigo revelou um lado muito sombrio de sua personalidade. 



No segundo mês de gravidez, o casal teve uma discussão. Rodrigo perdeu a paciência e arremessou um copo de cerveja em Paola. Não muito depois disso, Rodrigo ficou com raiva de Paola e mordeu a bochecha dela no meio de um shopping. Envergonhado do que fez, ele pediu desculpas e prometeu nunca mais repetir o que havia feito. Paola decidiu confiar nele e continuar o relacionamento por causa da criança. Mas seis meses depois, quando Rodrigo voltou a ficar violento e a jogou em cima da cama e socou seu rosto, Paola soube que tinha que pôr um fim na relação.
A moça não viu Rodrigo novamente até o dia do nascimento do filho deles. Mesmo não estando mais juntos como casal, ele ainda queria estar lá para receber o filho neste mundo. A princípio, Paola ficou feliz dele estar lá, mas durante o parto, algo irritou Rodrigo e ele começou a chutar o que via pela frente. A equipe do hospital o retirou do local.
Paola seguiu com sua vida e tentou esquecer as experiências ruins. Ela preferiu ficar sozinha do que com um homem violento e se recusou a deixar Rodrigo se aproximar dela. Ela eventualmente começou um novo relacionamento com um homem que fazia papel de pai para o seu filho Valentino, mas, infelizmente, não durou. Paola se sentiu culpada por criar seu filho sem pai e começou a sentir que era injusto que o pequeno não tivesse a chance de conhecer seu pai verdadeiro. Assim, apesar do que Rodrigo fez com ela, ela telefonou para ele novamente. 
Rodrigo começou a visitar o filho. Eles saíam para passeios e ele comprava presentes para a criança. Tudo parecia estar indo bem. Em maio de 2016, Paola e Rodrigo até saíram juntos para jantar. Naquela noite, eles conversaram sobre uma reconciliação e no final do jantar, decidiram tentar mais uma vez. 
Mas no final de semana seguinte, Valentino voltou da casa do pai com lágrimas nos olhos. Rodrigo havia dado um soco em seu rosto e em seu estômago, e agora estava enlouquecido. "Eu liguei pedindo uma explicação e a situação levou a mais violência. Ele veio para destruir a minha casa. Ele bateu com o carro no portão, depois ele ameaçou me matar com uma arma", lembra Paola. 
Essa foi a primeira vez que a jovem chamou a polícia. Ela terminou o relacionamento e não o viu até dezembro de 2016, quando soube que ele havia se envolvido em um acidente de moto. Rodrigo alegou que o acidente o ajudou a ver as coisas de maneira diferente, e que agora ele sabia que seu comportamento violento foi imperdoável. Ele havia estado à beira da morte e queria recomeçar e viver uma vida boa. Paola pode ver quão sincero ele estava sendo. Ela acreditou nele e decidiu lhe dar mais uma chance. 
Em março de 2017, Rodrigo voltou para casa com um humor muito estranho. Ele estava bem vestido, obviamente tentando impressionar Paola, mas quando ela não comentou sobre sua aparência, ele agressivamente lhe perguntou o por quê. Quando Paola não respondeu tão rápido quanto ele gostaria, Rodrigo ficou possesso.
"Ele trancou as portas. Ele me despiu. Ele me agarrou pelos ombros e quebrou a janela com as minhas costas. Ele me acertou com chutes e socos por todo o meu corpo, ele tentou me estrangular. A coisa mais leve que ele me disse foi 'vagabunda'. Eu pedi a ele para se acalmar. Eu dizia: 'Rodrigo, por favor, você vai me matar'. E ele dizia que claro que ele ia me matar". O espancamento durou duas horas. 
Paola estava tentando escapar, rastejando pelo chão, gritando. Ninguém a ouviu ou veio em seu socorro. Em algum momento ela conseguiu colocar a chave na fechadura para abrir a porta, mas ele a segurou por trás, a jogou no chão e lhe deu um tapa na cara. Finalmente, Paola conseguiu sair da casa, pular a cerca do jardim e gritar por socorro na rua. Todos ficaram com medo de defendê-la, mas alguém chamou a polícia. 
Paola foi levada para o hospital. O ataque a deixou com uma fratura no crânio, trauma nasal, dentes mole e hematomas pelo corpo inteiro. Ela tinha sorte de estar viva. Rodrigo foi acusado de violência doméstica e enviado para a prisão. Ele tinha prometido mudar, ser melhor, e mentiu todas as vezes. Paola quis acreditar nele, especialmente pelo bem de seu filho, mas isso provou ser um erro quase fatal. Parecia que Rodrigo era um psicopata, incapaz de sentir amor de verdade.




Esse é um cenário bastante comum: o homem chora, dá presentes e faz promessas vazias para seduzir suas vítimas. Na maioria dos casos, esses homens são incapazes de mudar e, ao invés disso, manipulam as pessoas à sua volta para fazê-las acreditar que ele se sente culpado por seus crimes. Paola quer alertar outras mulheres que estão nessa mesma situação. A mensagem dela é: não acredite nas mentiras e saia enquanto você ainda pode. 
Infelizmente, ainda existem muitas pessoas neste mundo como Rodrigo. Essa é uma realidade que milhares de mulheres vivem em completo silêncio, escondendo a violência por baixo de blusas de manga comprida e maquiagem. O perdão é importante em muitos aspectos da vida, mas também é importante saber que alguns homens usam isso como armadilha para manter mulheres presas nesse ciclo de abuso.
Histórias como a de Paola partem nosso coração, mas também dão uma força tremenda às pessoas que precisam lutar contra a violência doméstica. Se você precisa de ajuda, lembre-se de chamar a polícia ou alguém próximo a você. Isso pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Fonte: Clarín, via Não Acredito
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