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sexta-feira, 31 de março de 2017

Jogador de futebol norte-americano acorda do coma falando espanhol fluentemente. Entenda como a ciência tenta explicar isso.


Imagem de reprodução
Rueben Nsemoh, 16 anos, de Atlanta, nos EUA, ganhou as manchetes de jornais após acordar de um coma falando espanhol fluentemente.

O fato é que Nsemoh tem o inglês como sua língua nativa, e, teoricamente sabia apenas o básico da língua espanhola. No entanto, após sofrer uma concussão durante um jogo de futebol, ficando desacordado em razão dos ferimentos, ele acordou capaz de falar a segunda língua como um nativo, ao passo que também lutava para tentar conversar novamente em inglês.


Em entrevista à revista TIME, ele disse ter sentido como “uma segunda natureza” tivesse nascido em seu interior. “Eu não estava falando direito o meu inglês, e cada vez que eu tentava, sofria um ataque”, revelou. “Foi estranho. Não era assustador. Na verdade, eu gostei muito. Foi realmente único para mim”.



De acordo com informações da Science Alert, desde então, ele lentamente está recuperando a capacidade de falar sua língua nativa, bem como as habilidades do espanhol estão desaparecendo. Os médicos, por outro lado, ainda estão tentando explicar exatamente o que aconteceu.


Apesar de soar como ficção, Rueben não é o único a passar por essa experiência. Na verdade, muitas pessoas que sobreviveram a lesões na cabeça relataram ter acordado com novas habilidades. Um dos casos falava sobre um inglês que após um Acidente Vascular Cerebral, percebeu que sabia falar a língua galesa, embora nunca tivesse tentado aprender o idioma. Em outro caso, relatado em 2013, um australiano, que havia sofrido um acidente de carro, acordou falando apenas mandarim, uma língua que ele tinha estudado superficialmente na época da escola.

Mas como a Ciência explica isso?

Na verdade, ela ainda não sabe explicar exatamente como ocorre. Ao que tudo indica, as novas habilidades de linguagem parecem ser causadas pela religação do cérebro após uma lesão traumática que resultou em danos na região responsável por produzir a fala. A condição rara é chamada de Síndrome do Sotaque Estrangeiro e até o momento, pelo menos 200 casos já foram registrados.
Um dos primeiros falava sobre uma mulher norueguesa, atingida por estilhaços de uma bomba detonada durante um ataque aéreo na Segunda Guerra Mundial, que acordou falando alemão fluentemente. Posteriormente, seus amigos e vizinhos acreditaram que ela era na verdade uma espiã e passaram a evitá-la.
Em um artigo escrito para o The Conversation, em 2013, a especialista Lyndsey Nickels, da Universidade Macquarie, na Austrália, explicou que falar requer um controle muito preciso dos músculos dos lábios, língua, mandíbula e laringe. “Se os articuladores, velocidade ou coordenação de movimentos são colocados fora de sincronia, então os sons da fala serão alterados”.
Assim, segundo ela, as pessoas não estão exatamente falando uma nova língua, mas apenas perdendo o controle sobre a forma como normalmente pronunciam vogais e consoantes, e isso pode fazer com que aparentemente tenham ganhado novas habilidades linguísticas, mesmo se estiverem pronunciando frases cheias de erros.


Afasia

Há também a possibilidade de que a nova capacidade tenha a ver com o fato de que os pacientes pareçam perder a língua nativa após a lesão, o que resultaria em algo conhecido como Afasia – uma deficiência comum de linguagem que muitas das vezes é causada por acidentes vasculares cerebrais. É descrita pela sensação de que as palavras estão na ponta da língua o tempo todo, mas a pessoa não consegue acessá-las.
A Afasia pode afetar todas as línguas que uma pessoa sabe, mas nestes casos descritos, parece apenas afetar a língua nativa dos pacientes, o que permite-lhes acessar partes de um idioma secundário que sequer conheciam.
No entanto, estas são apenas hipóteses. Espera-se que com mais pesquisas possamos finalmente começar a entender como o cérebro se religa após uma lesão, bem como é capaz de desenvolver habilidades novas.



Science Alert, via Jornal Ciência
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