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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma mão toca a saia da adolescente. Mas quando o abusador vê ISSO, ele retira sua mão discretamente.


Imagem de reprodução
Não é só no Brasil que meninas e mulheres passam por situações constrangedoras no transporte público. No Japão também é comum que passageiros mal intencionados tentem tirar proveito de trens e ônibus lotados, tocando discretamente as partes íntimas de suas vítimas. E é por isso que uma mãe, cansada de ouvir as queixas frequentes de sua filha, resolve unir forças para buscar uma solução. 




Essa mulher corajosa se chama Mari Tonooka e mora em Tóquio. Sua filha está no segundo ano do segundo grau e vai sozinha de metrô para a escola. Com muita frequência, a menina percebe roçadas e apalpadas intencionais quando está espremida dentro de um vagão cheio. Ela é uma garota quieta e tímida: a vítima perfeita para os abusadores, pois eles sabem que elas dificilmente farão um escândalo. Ao longo dos meses, mãe e filha planejam estratégias diferentes: pegar outro trem, carregar uma espécie de buzina escondida, pedir que colegas do sexo masculino as acompanhe... Mas nada parece funcionar e a menina volta muitas vezes para casa chorando. 



Com o passar do tempo, a tímida garota consegue reunir coragem suficiente para dizer "pare com isso" ao sentir uma mão intrusa. Porém, ela é em geral ignorada, ou pior: às vezes o abusador grita com ela, dizendo em voz alta que ela é mentirosa e o está acusando injustamente. Sem saber mais o que fazer, ela se sente sozinha nessa luta diária. Entretanto, tudo muda no início deste ano, quando a menina chega a seu limite e resolve chamar a polícia ao perceber que está sendo tocada. O homem é então indiciado e sentenciado. 
Após esse incidente, mãe e filha começam a pensar em uma maneira de prevenir os ataques. Elas não querem ter que sempre levar o caso às autoridades. As duas desejam apenas que os homens pensem duas vezes e simplesmente não cometam o abuso. Conversando com outras pessoas, Mari e sua filha chegam à conclusão de que a melhor arma seria avisar o potencial abusador das possíveis consequências de tal ato ilegal. Em abril de 2015, elas apresentam sua ideia: uma espécie de placa ou crachá onde se lê "Abuso sexual é crime. Eu não ficarei em silêncio!" Após impresso e preparado, a filha de Mari é a primeira a usá-lo e vai para a escola com o aviso pendurado nas suas costas, bem na altura do ombro.



A grande surpresa foi que os abusos de fato cessaram! A estratégia deu certo! E não foi necessário levantar a voz e nem reunir forças e coragem. Animada com os resultados, a mãe coloca uma foto da sua ideia nas mídias sociais e acaba recebendo muitas respostas positivas. Ao perceber que milhares de outras meninas e mulheres gostariam também de ter uma placa destas, Mari e sua filha criam o projeto "Crachá Contra o Abuso Sexual". Com a ajuda de entusiastas, elas desenvolvem inclusive um novo design, colocando os dizeres em um botton.


O próximo passo foi lançar uma campanha na Internet para arrecadar fundos para promover, produzir, e distribuir estes objetos salvadores. Apesar da arrecadação ainda estar em andamento, a resposta no Japão tem sido bem positiva e o projeto virou tema de reportagem em vários jornais e canais de televisão desse país asiático.



No Brasil, este também é um tema sério. No Paraná, por exemplo, a Guarda Municipal de Curitiba registrou entre 1º de janeiro e 10 de agosto de 2015, 44 casos de abusos e violência sexual contra mulheres dentro do transporte público da cidade. Esse número é praticamente o dobro do computado no mesmo período do ano anterior, que somou 28 ocorrências. Pensando neste problema, o metrô do Rio de Janeiro instituiu há 7 anos vagões cor de rosa, destinados exclusivamente a mulheres nos períodos de pico durante o dia. Além disso, outras cidades planejam ações semelhantes.



Entretanto, os números oficiais ainda são pequenos perto da realidade, já que muitas vítimas preferem se calar e não denunciam seus agressores. Milhares de meninas e mulheres ficam envergonhadas com a situação ou se sentem intimidadas pelos abusadores e acabam não levando o caso às autoridades. Justamente por isso, esse crachá é uma ideia genial: ele previne o crime antes que ele ocorra, sem que medidas legais precisem ser tomadas.
Mas é claro que a ideia só funciona se as mulheres levarem a cabo a ameaça escrita no texto, e de fato gritarem e chamarem ajuda caso sejam indevidamente tocadas. Resta saber se este projeto funcionaria no Brasil. Porém, é necessário discutir este problema, e a estratégia inventada por esta mãe japonesa representa ao menos uma pequena luz no fim do túnel. Se você aprova esta ideia e é contra este assédio cotidiano no transporte público, então compartilhe este artigo! Mulheres: não fiquem em silêncio!

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