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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Implante está sendo desenvolvido para aumentar a capacidade de memória humana


Imagem de reprodução
Theodore Berger, um professor de Engenharia Biomédica da Universidade de Southern Califórnia, nos EUA, anunciou estar trabalhando para levar ao mercado uma forma de “realçar” a memória humana.





O projeto, de acordo com o site Big Think, fala sobre uma prótese que seria implantada no cérebro, funcionando como um hipocampo extra. A notícia fica mais interessante: um protótipo já está sendo testado em seres humanos. Em sua forma natural o hipocampo é uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro, está associado a memória, sistema límbico e navegação espacial. Já a forma artificial, em que Berger tem trabalhado há 10 anos, funciona como um dispositivo para a conversão de memórias de curto-prazo em longo-prazo, armazenando-as no processo.

A pesquisa de Berger foi muito encorajada até agora. Os primeiros testes foram realizados em coelhos, que eram ensinados a associar um tom de áudio com um sopro de ar administrado diretamente na cara do animal, fazendo-o piscar. Então, por meio de eletrodos ligados a eles, Berger observou padrões de atividades, chamadas de “código espaço-tempo”, disparadas pelo hipocampo do coelho em um momento específico.

“À medida que o código do espaço-tempo se propaga nas diferentes camadas do hipocampo, ele gradualmente é transformado em um código diferente”, explicou. Com o treinamento, o tom sozinho foi suficiente para o hipocampo produzir um código baseado na versão inicial, fazendo o coelho piscar.
Segundo ele, a maneira pela qual o hipocampo estava processando a memória do coelho e produzindo o código espaço-tempo recordável, se tornou suficientemente previsível para que fosse capaz de desenvolver um modelo matemático simulando o processo. A partir deste ponto, Berger pôde construir um hipocampo artificial, uma prótese experimental, para testar suas observações.
Ao treinar ratos para pressionarem uma alavanca com eletrodos de monitoramento do hipocampo, o pesquisador conseguiu códigos de espaço-tempo correspondentes. Ao executar esses códigos através de seus modelos matemáticos, enviando-os de volta para os cérebros dos ratos, seu sistema foi validado conforme os roedores pressionavam a alavanca.

“Todas essas próteses que interagem com o cérebro têm um desafio fundamental”, disse Dustin Tyler, professor de Engenharia da Case Western Reserve University, para a Wired. “Existem bilhões de neurônios no cérebro e trilhões de conexões entre eles que os fazem trabalhar juntos. Tentar encontrar uma tecnologia que atinge essa massa de neurônios e ser capaz de se conectar com eles em um nível razoavelmente de alta resolução é algo complicado”.

No momento, o dispositivo está sendo testado em humanos e, de acordo com Berger, os resultados iniciais são promissores. “Vamos prosseguir com o objetivo de comercializar a prótese”. Ele imagina que os consumidores iniciais sejam pacientes com problemas de memória, incluindo os que sofrem de Alzheimer, vítimas de AVC ou lesões cerebrais. Com a aplicação do minúsculo dispositivo no hipocampo, os neurônios responsáveis por memorias de curto-prazo seriam estimulados a transformá-las em de longo-prazo.


Informações: Big Think, via Jornal Ciência
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