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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Parasita mortal que infecta carne invade os Estados Unidos e deixa a Flórida em alerta máxima


O estado da Flórida, nos EUA, está em alerta máximo após especialistas descobrirem que um parasita invasor de carne está de volta.


As vítimas do recente surto são mais de 100 veados que habitavam um Parque Nacional. Acreditava-se que o verme tivesse sido erradicado nos EUA há décadas, mas o ressurgimento acionou um estado de emergência agrícola, com as autoridades tentando conter novamente a ameaça, segundo informações da Science Alert.
O parasita em questão são larvas da mosca Cochliomyia hominivorax, que quando amadurecem se parecem muito com uma mosca doméstica comum. No entanto, suas larvas, são especialmente perigosas. Elas infectam animais de sangue quente, enterrando-se em feridas abertas para se alimentarem de carne. Embora as pessoas também estejam em risco, o recente surto nos EUA não indicou vítimas humanas.
As larvas não haviam sido vistas na Flórida há 50 anos, desde uma longa campanha de erradicação, que teve início na década de 1930 e foi considerada bem-sucedida no ano 1966. Desde então, as autoridades locais mantiveram o controle biológico a partir de um método chamado Técnica do Inseto Estéril, que impediu que a espécie entrasse novamente em países da América do Sul e Central.
O processo envolve a liberação de machos inférteis, esterilizados por radiação, na natureza. Uma vez que as fêmeas da espécie só acasalam uma vez na vida, quando o faziam com os machos inférteis, o ato não resultava em prole, o que assegurou controle da população. No entanto, e apesar dos esforços em combater de forma permanente o problema, o verme voltou em julho deste ano, reaparecendo em veados (Odocoileus virginianus clavium) que habitam o condado de Monroe.
Odocoileus virginianus clavium é uma espécie de veado que só vive na Flórida. Em perigo de extinção, atualmente existem menos de 1.000 deles vivendo em um parque nacional, National Key Deer Refuge, administrado pela US Fish and Wildlife Service. Ainda, como se o animal já não estivesse sob riscos suficientes, foi verificada uma infestação do parasita em 132 dos mortos desde julho – cerca de 15% da população total.
Inicialmente confundida com uma ferida comum, a causada pelo parasita não chamou atenção dos funcionários do parque, que não estavam cientes da praga mortal – que eventualmente também infectou um cão, dois gatos e um porco. Em testes laboratoriais realizados em setembro, pesquisadores constataram o surto de fato, ao passo que a Flórida declarou estado de emergência agrícola no mês seguinte.
Por outro lado, a boa notícia é que medidas de proteção para conter os surtos já começaram a ser realizadas e estão funcionando. Elas incluem a liberação de moscas estéreis e criação de uma área de quarentena, bem como a produção de medicamentos antiparasitários. A US Fish & Wildlife Serviceanunciou que a população de veados parece ter se estabilizado em um total de 875, sem evidências de novas mortes nas últimas semanas.
Ainda, enquanto todos os animais de sangue quente estão em risco de infecção, a verdadeira ameaça é para a agricultura. Para os humanos, o risco existe, mas de forma mais rara. Desde a erradicação da infecção na década de 1960, apenas ocorrências esporádicas em minhocas foram registradas nos EUA, e geralmente casos isolados de viajantes infectados em outros países.
Um destes casos envolveu uma menina de 12 anos, de Connecticut, que havia viajado com a família para a Colômbia e retornou sentindo dores extremas no couro cabeludo. Os médicos removeram cerca de 142 larvas de sua cabeça utilizando carne para atrair os parasitas para fora da criança.
Agora, espera-se que os esforços para conter o surto continuem dando certo até 2017, e que as próximas contagens revelem que o número de infecções está diminuindo.

Informações Science Alerr, Fotos: Reprodução/ Science Alert, via Jornal Ciência
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