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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Conheça a história cruel do africano que foi dissecado e exposto em um museu por cerca de 80 anos


Imagem de reprodução

Durante o início do século 19, na Europa, era “moda” entre as pessoas mais abastadas recolher animais selvagens e levá-los para casa esperando que fossem embalsamados para serem exibidos como troféus.



Porém, um comerciante francês, chamado Jules Verreaux, resolveu levar a atividade a outro nível. Ele decidiu que faria isso com um ser humano, mas especificamente com o corpo de um guerreiro africano enterrado na Cidade do Cabo, segundo informações da BBC Brasil. Após ser dissecado como um animal, o homem foi levado para ser exposto em um museu sob a legenda de “O Negro”. O corpo foi descoberto pelo escritor holandês Frank Westerman, que o encontrou em um museu espanhol há 30 anos e resolveu investigar o caso.


A fama do guerreiro ocorreu de forma póstuma, uma vez que por cerca de 170 anos viajou entre museus da França e Espanha, onde gerações de europeus ficavam impressionados pelo seu corpo seminu preservado pela taxidermia. Sem nome ou história, ele era exibido como um troféu. O encontro de Westerman com o corpo ocorreu por volta de 1983, quando, o ainda estudante universitário, cruzou com a exposição em uma viagem que faria até a Espanha, no Museu Nacional de História de Darder.
O escritor conta que ao entrar no prédio se encaminhou para a ala de exposições nomeada como “Quarto Humano”, localizada em um anexo próximo ao “Quarto dos mamíferos”. “Passei uma parede de escalada com macacos e esqueletos de gorilas e, de repente, comecei a tremer. Estava ali, o Negro de Banyoles, empalhado”, contou. “Uma lança na mão direita, um escudo na esquerda. Curvando-se devagar, ombros levantados. Seminu, apenas com uma tanga laranja. Ele era um ser humano, mas sendo exibido como qualquer outra amostra de animais selvagens”. Ao ver a cena, Westerman disse ter sido atingido por uma “sensação difusa de vergonha”.
A história, segundo ele, conta que tudo começou quando Jules Verreaux, em 1831, testemunhou o enterro de um guerreiro ao norte da Cidade do Cabo, no interior da África. Porém, ele resolveu voltar durante a noite para roubar o defunto. Após o crime, preparou e preservou o corpo e o enviou em um navio para Paris, juntamente com os cadáveres de outros animais. No mesmo ano, o africano apareceu em uma exposição na Rua Saint Fiacre, 3.
Em uma reportagem feita para imprensa francesa, posando de herói, Verreaux contou que teve de enfrentar os nativos da região, “tão selvagens quanto negros”, para conseguir pôr as mãos no corpo. Mais de meio século depois, a exposição foi até a Espanha, em uma exibição mundial que ocorreu em Barcelona no ano de 1888. Ele foi apresentado pelo veterinário espanhol Franscisco Dardar em um catálogo e descrito como “O Botsuano”.
Ano após ano o corpo viajou entre museus e também passou por reparos. A ideia por trás da exposição já começava a confrontar as pessoas com teorias sobre “racismo científico”, que classificava os negros como inferiores sob pressupostos falsos – como os baseados em medidas cranianas, por exemplo.
Com o passar do tempo, e já no século 20, a exposição se tornou mais um anacronismo, de acordo com o escritor. A culpa e a consciência das pessoas sobre o fato de que estavam olhando para um homem que teve corpo e túmulo violados deixou toda a situação insustentável.
Em 1992, um médico haitiano sugeriu em uma carta para o jornal El País, que o corpo do homem deveria ser retirado do museu. Uma vez que no mesmo ano seriam realizados os Jogos Olímpicos de Barcelona, o corpo poderia fazer com visitantes se sentissem ofendidos. O pedido foi considerado e apoiado por nomes importantes como o jogador da NBA Magic Johnson e o pastor norte-americano Jesse Jackson. O então secretário-geral da ONU, o ganês Kofi Annan, condenou a exposição classificando-a como “repulsiva” e “barbaramente insensível”.
Por outro lado, os espanhóis resistiam em retirar “El Negro”, uma vez que o consideravam um “tesouro nacional”. Por isso, somente em 1997 ele foi retirado de exposição pública e armazenado. Três anos depois, em 2000, pôde finalmente retornar para seu local de origem, na África.
Uma vez em Botsuana, ele foi desmontado e desprovido de elementos adicionados durante os anos de exibição. Então, no dia 5 de outubro de 2000, foi novamente enterrado em uma área perto do Parque Tsholofelo, sob um ritual cristão seguido de cantos e danças.
Até hoje ninguém sabe ao certo a identidade do guerreiro. Por meio de uma autópsia realizada em 1995 na Espanha, foi constatado que ele tinha cerca de 1,35 ou 1,40 m de altura, teria vivido até os 27 anos e provavelmente morrido em razão de pneumonia. 
Em um relato, o escritor descreveu os aspectos do local de descanso atual do desconhecido guerreiro, que incluía uma cerca de arame decorativa sob as cores da bandeira de Botsuana. “Azul, branco e preto – marca a sepultura de um dos mais famosos – e menos invejados – filhos de Botswana: El Negro”.

Informações são da BBC, Foto de reprodução Bligz, via Jornal Ciência
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