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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

INSS cobra R$ 13 mil de aposentado com salário mínimo e ameaça cortar benefício


Imagem de reprodução
José Jorge Rodrigues tem 79 anos e ganha um salário mínimo de aposentadoria, além de R$ 214,61 de auxílio suplementar por acidente de trabalho do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Em junho, porém, ele recebeu uma carta do instituto que avisava que seu benefício seria suspenso por estar irregular, e ele ainda teria que devolver R$ 12.945,29 pelo período em que teria recebido o dinheiro indevidamente.
O auxílio suplementar é um benefício criado em 1979 e que parou de ser concedido em 1991. Ele é pago a quem sofreu um acidente de trabalho que causou uma “sequela definitiva, perda anatômica ou redução da capacidade funcional” que não impede a pessoa de trabalhar, mas “acarreta permanentemente maior esforço na realização do trabalho”, segundo decreto que o criou.
Rodrigues era mecânico e, por causa do barulho na oficina, perdeu parte da audição. Ele começou a receber o auxílio suplementar em 1982. Em 1994, aposentou-se e passou a receber as duas rendas.
Segundo o INSS, porém, a lei não permite que uma pessoa receba o auxílio e a aposentadoria ao mesmo tempo. Para o instituto, José Jorge Rodrigues recebe o auxílio irregularmente desde a data em que se aposentou, e por isso cobra R$ 13 mil dele, valor já corrigido pela inflação.
O aposentado divide uma casa com a irmã no Jardim Ondina, zona norte de São Paulo. A irmã, Teresa Rodrigues, 68, era costureira e também está aposentada, recebendo pouco mais do que um salário mínimo. Ela afirma que eles não têm condições de pagar o valor cobrado.
Segundo ela, os dois moram sozinhos, não têm filhos e nem recebem ajuda de parentes. Vivem com o dinheiro de suas aposentadorias.

Ela diz que o irmão escuta pouco e precisa da ajuda de um aparelho de audição. “O telefone toca, ele está aqui perto, mas não escuta”, conta.
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